NAS FENDAS DA HISTÓRIA

05/11/2009

               


     Não se pode ter acesso ao arquivo da OBAN, órgão de repressão da ditadura militar, atuante de 68 a 71 – quando foi incorporado ao "Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna" (DOI -CODI) – , mas é permitido estudar, por meio de outros registros históricos acessíveis, a trajetória política de nosso País, desvendando pouco a pouco as fendas da história. Por essa razão e de acordo com o conteúdo desenvolvido na 3ª série do ensino médio, em História; e o trabalho realizado pelos alunos, no componente curricular optativo de Teatro, foram realizadas nos dias 12 e 13 de novembro atividades que relembrarão os 40 anos da criação da Operação Bandeirantes, e os 30 anos da Lei de Anistia no Brasil, dando subsídios para o aprendizado do período recente da nossa história, compreendido entre os anos de 1964 e 1985.
 

Confira abaixo o relato das atividades que abordaram questões sociais e políticas de nosso País.

“Quem sabe faz a hora não espera acontecer”
Geraldo Vandré



Direito, moral e ética

   Sexta-feira, dia 13 de novembro, as turmas da 2ª série do ensino médio puderam conversar com o professor de Ética e Direito Constitucional, Dr. Marcos Peixoto de Mello Gonçalves, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Neste ano Internacional da Aprendizagem dos Direitos Humanos e diante de tantos fatos – no âmbito internacional e nacional – que parecem sacudir nossas crenças na Ética, nada melhor do que refletir com propriedade, seriedade e corajoso dinamismo a respeito do assunto. O encontro com as turmas começou com uma prévia de uma aula universitária que partiu dos conceitos de Estado de Direito e Estado de Força, desenvolvidos até as três gerações dos Direitos Humanos. O mergulho histórico, bem conhecido dos alunos, embasou a construção de pensamento que foi se desenvolvendo com naturalidade e clareza sobre tema tão importante para a contínua construção das sociedades democráticas.
   Seriedade, interesse e consciência cidadã foram as palavras-chave dessas aulas quase universitárias. Interessante foi que, neste Ano da França no Brasil, o lema da Revolução de 1789 – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – retomado, revisto e ampliado, continuou sendo altamente estimulante e desinstalador.

                                    Patrizia Bergamaschi, professora de Língua Portuguesa


Um olhar sobre o Estado autoritário no Brasil


   Dia 13 de novembro, pela manhã, os estudantes da 3ª série do ensino médio receberam o Juiz José Henrique Rodrigues Torres, titular do Tribunal do Júri de Campinas, para uma palestra que tratou do tema Estado de direito e a ilegitimidade do Estado opressor. De acordo com o conteúdo desenvolvido no bimestre em História - as ditaduras Vargas e civil-militar de 1964-1985 -, o palestrante apresentou aos alunos as características jurídicas e constitucionais dos governos ditatoriais brasileiros, dando ênfase à ditadura militar e à construção do aparelho repressor no período pós AI-5 (1968).
  À luz da Carta dos Direitos Humanos (1948) e dos acordos internacionais assinados pelo Brasil desde a década de 1940, José Henrique Rodrigues Torres discorreu a respeito da legitimidade da sociedade civil se organizar para combater um Estado terrorista.
A palestra foi instigante e motivou os alunos a discutirem as questões ideológicas e a correlação das forças socioeconômicas que envolvem a estruturação da sociedade e de seus governos.

 

Tânia Veiga, professora de História
                                                                                                                                                  


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