DIA NACIONAL DA POESIA

10/03/2010

A poesia é a arte que reflete a alma humana, é a tradução dos sentimentos e da riqueza do olhar singular e apaixonante do poeta em palavras. O Dia Nacional da Poesia foi criado em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), no dia de seu nascimento, 14 de março.
Ele foi o principal poeta da terceira fase do Romantismo no Brasil e escreveu poesias líricas que encantaram e encantam os leitores. Nelas não há aquela morbidez típica dos poetas da Segunda Geração: lugares sombrios, mulheres-anjo, mas há a proximidade com a realidade, Castro Alves apresenta mulheres que parecem reais e que são imbuídas de sentimentalidade e sensualidade. Toda essa carga emocional está presente, por exemplo, na obra Espumas Flutantes, única publicação do autor em vida.
Mobilizado com a causa abolicionista e com o governo republicano, o poeta também escreveu poesias de cunho político-social, em que expressou toda sua indignação contra a escravatura, isto é, contou a trajetória de dor e profundo sentimento dos negros escravos, e colocou-os, inspirado nos épicos, como heróis, seres amorosos e sofredores, lutadores e esperançoso. Essas poesias, cheias de figuras de linguagem e ousadia, foram influenciadas pelas obras de Victor Hugo e Lamartine. Ao ler “O Navio Negreiro”, por exemplo, é possível “ouvir” o arrastar das correntes e “sentir” a agonia das torturas físicas e psicológicas.
Como diversos poetas e amantes da época, o poeta faleceu de tuberculose aos 24 anos. Todavia deixou um grande legado – a sua poesia. Anos depois de sua morte, o movimento abolicionista serviu-se de sua obra como arma.
 

Veja abaixo pequenos trechos dos poemas de Castro Alves.

 

"NAVIO NEGREIRO"

IV

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...


Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

 

"O GONDOLEIRO DO AMOR"

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;


Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

 


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