Capela

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“Nem todos estão chamados a ser artistas, no sentido específico do termo. Mas, segundo a expressão do Gênesis, todo homem recebeu a tarefa de ser artífice da própria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obraprima”
(Carta do Santo Padre João Paulo II aos artistas).



A pedido da direção do Colégio Emilie de Villeneuve, realizamos em 2015 uma reforma no espaço da Capela.

Para pensar um espaço que seja ao mesmo tempo harmonioso e que favoreça ao rito que aí acontece, deve-se ter em mente vários elementos conjugados e significativos. Nada é colocado porque é bonito ou apenas para servir de enfeite.

Acolhi o grande pedido que me foi feito: que uma cruz formatasse o espaço de tal forma que o abrangesse por completo. Esta foi a premissa para direcionar o projeto.

No Espaço Sagrado a linguagem é de outra natureza. Assim como Deus nos fala por parábolas (metáforas) e por meio dos salmos (poesia), o Espaço nos “fala” por intermédio dos símbolos e dos sentidos tanto estético quanto corpóreo: visão, audição, olfato, tato e gosto.

O Espaço é simbólico. O símbolo nos une. “O que dá dignidade a uma pessoa é a possibilidade de pertencer a algo. Os símbolos nunca podem ser reduzidos, e é por isso que eles tem a força luminosa do divino, porque me ligam a um centro de significação e sentido, embora não os entenda... o símbolo me descansa porque me ultrapassa. Sem vida simbólica, o homem é um insuportável estranho e para o Estado um mero contribuinte. Precisamos de algo maior” (Adélia Prado).

Para o cristão, a água é símbolo de purificação. No batismo somos lavados e nascemos para uma vida nova, somos “sacerdote, profeta e rei”. Logo ao entrarmos na Capela “lavamos” nossos pés no tapete de linhas sinuosas. Ao passarmos pela porta, “Eu sou a porta” (Jo 10-9), nos revela Jesus, deveríamos deixar o “caos” exterior e mergulharmos profundamente no Mistério com toda nossa personalidade, inteligência, coração, imaginação e memória.
Logo à entrada somos recebidos por Nossa Senhora,

 
“... a materna missão de Maria a favor dos homens, de modo algum obscurece, nem diminui esta mediação única de Cristo mas, até ostenta sua potência. Pois todo o salutar influxo da Bem-Aventurada Virgem nos homens não se origina de alguma necessidade interna mas do divino beneplácito – flui dos superabundantes méritos de Cristo, repousa na sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a força.
De modo algum impede, mas até favorece a união imediata dos fiéis em Cristo”
(Lumen Gentium – 60).

A partir da imagem da Virgem, elevando nosso olhar ao alto, somos conduzidos pelas luzes da “sanca” em direção ao próprio Cristo e ao Sacrário, lugar do Sagrado ou do Alto. Aí tem-se o braço vertical da cruz.

No centro da Capela acha-se o Altar. Ele é a razão de ser do Espaço Sagrado. Especificamente, aqui, ele ocupa o centro geográfico mas não necessariamente isto precisa ocorrer. O Altar não é uma mesa onde o sacerdote apoia o cálice, a patena e o missal. É o lugar do encontro e da aliança entre Deus e o Homem. Para o Antigo Testamento era a ara dos sacrifícios. No Novo Testamento, o próprio Cristo é o “Altar, a Vítima e o Sacerdote”.

O Altar é único e para evidenciá-lo temos um tapete que o destaca do restante do espaço sem, porém, desunir. As linhas sinuosas remetem ao tapete da entrada e acrescenta ainda mais um significado que são os dois peixes. A palavra peixe em grego se diz Ichthys e é considerado um dos primeiros símbolos usados pelos cristãos para professarem a sua fé. É um acróstico com as palavras Iesus Christos Theos uios Soter - ΙΧΘΥΣ -, ou seja, Jesus Cristo Filho de Deus Salvador.

O Ambão é uma peça sacramental como o Altar porém com destino distinto para a ação litúrgica. Aí se proclama a Palavra de Deus. É pelo ouvido que o Espírito entra. Na Capela, juntamente com a imagem de Santa Emilie de Villeneuve, forma o braço horizontal da cruz. Temos assim todo o conjunto inserido nestas grandes linhas, uma vertical (teto - céu) e outra horizontal (chão – terra).

O círculo formado pelos bancos tem seu centro a partir do Altar. Nesta postura, a Comunidade reunida celebra o Mistério Pascal. Aí o Senhor “reúne seus filhos dispersos”, dá-se um esponsal, o Sagrado desposa o humano. “Eis a tenda de Deus conosco, Ele habitará com eles; eles serão seu povo, e Ele, Deus com eles, será seu Deus” (Ap 21,3). A orientação permite uma harmonia entre celebrante e assembleia e todos são convidados a participar integralmente do Banquete Eucarístico que fortalece, inspira e alarga os horizontes dos nossos sentidos.

 
“Objetividade e centralidade do Mistério celebrado fazem com que o fiel, ao entrar nesse espaço, se identifique e todos se reconheçam em comunhão, membros do Corpo Místico” (Cláudio Pastro).

Um azulejo, à entrada do Pateo do Collegio, nos dá a chave e o significado do espaço cristão:
 
“Aqui se entra para louvar o Senhor e se sai para amar os irmãos”.

Em sua homilia em Lampeduza, na Itália, o Papa Francisco nos alerta, não para o cumprimento de regras socialmente corretas mas que o nosso “coração anestesiado” se abra diante do sofrimento de tantas pessoas:
 
“A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!”.

Na beleza do espaço da Capela Emilie de Villeneuve e no rito litúrgico nos tornemos amantes do Bom e do Belo e que a experiência da Verdade nos encontre apaixonados:
 
“É por Deus que vos deixo” (Santa Emilie de Villeneuve).


 
Hilda Souto
São Paulo, quaresma de 2016


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