2016: Ano da Misericórdia


Ano Jubilar da Misericórdia
 
 
O que é um Ano Santo?
Levítico 25
 
"Um ano de Misericórdia", isto é o que o Senhor anuncia e que nós desejamos viver. Este Ano Santo traz consigo a riqueza da missão de Jesus que ressoa nas palavras do Profeta: levar uma palavra e um gesto de consolação aos pobres, anunciar a libertação a quantos são prisioneiros das novas escravidões da sociedade contemporânea, devolver a vista a quem já não consegue ver porque vive curvado sobre si mesmo, e restituir dignidade àqueles que dela se viram privados. 
Um tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos crentes.
Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus!
  
O que é MISERICÓRDIA?
O mistério da misericórdia é:
- Fonte de alegria, serenidade e paz;
- Condição para a nossa salvação;
- A palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade;
- O ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro;
- A lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida;
- O caminho que une Deus e o homem porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.
 
No Antigo Testamento:
Paciente e Misericordioso - atributos de Deus
Salmo 102: “É aquele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades. É Ele quem resgata a tua vida do túmulo e te enche de graça e de ternura”
Salmo 145: “O Senhor liberta os prisioneiros. O Senhor dá a vista aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama o homem justo. O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva, mas entrava os caminhos aos pecadores”
Salmo 146: “O Senhor cura os de coração atribulado e trata-lhes as feridas (...). O Senhor ampara os humildes, mas abate os malfeitores até ao chão”.
A misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta, pela qual Ele revela o seu amor como o de um pai e de uma mãe que se comovem pelo próprio filho até ao mais íntimo das suas vísceras. 
 
É um amor visceral!
 
"É próprio de Deus usar de misericórdia e, nisso, se manifesta de modo especial a sua omnipotência!” São Tomás de Aquino
  
No Novo Testamento:
Jesus é o rosto da Misericórdia de Deus. A misericórdia de Deus tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré. 
Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.
A missão que o Pai concede a Jesus é anunciar o amor de Deus: “Deus é amor” (1Jo4,8.16) revela-o Jesus e o manifesta em toda a sua vida!
 
Onde?
Nas suas palavras, gestos, atitudes e nos seus relacionamentos:
- Pecadores - chamou Mateus
- Pobres - alimentou os famintos (Mt 15, 37)
- Marginalizados - mulher adúltera
- Doentes - cura o endemoninhado de Gerasa (Mc 5,19)
- Sofredores - consola a viúva de Nain (Lc 7,15)
 
Jesus revela a natureza de Deus como a de um Pai que nunca se dá por vencido enquanto não tiver dissolvido o pecado e superada a recusa com a compaixão e a misericórdia. 

Hoje é difícil falar em Misericórdia!
"A mentalidade contemporânea, talvez mais do que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia de misericórdia. A palavra e o conceito de misericórdia parecem causar mal estar ao homem (...)” São João Paulo II - Dives in misericórdia.
Mas anuncia-la é uma urgência!
 
"O próprio mistério de Cristo (...) obriga-me igualmente a proclamar a misericórdia como amor misericordioso de Deus, revelada também no mistério de Cristo. Ele me impele ainda a apelar para esta misericórdia e a implorá-la nessa fase difícil e crítica da história da Igreja e do mundo”. DiM - 15
A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que por meio dela deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa.
Onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai. 
É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia do Pai.
  
Misericordiosos como o Pai
“Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso”.
(Lc 6,36)
  
Como viver o Ano Santo?
 
Escutar a Palavra!
Para sermos capazes de misericórdia, devemos primeiro pôr-nos à escuta da Palavra de Deus. Isso significa recuperar o valor do silêncio, para meditar a Palavra que nos é dirigida.
  
Viver o perdão!
Somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais relevante do amor misericordioso.
Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado em nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração!
A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo.
Sem o testemunho do perdão, resta apenas uma vida infecunda e estéril, como se vivesse num deserto desolador.
O perdão é uma força que ressuscita para nova vida e infunde a coragem para olhar o futuro com esperança.
  
Sermos instrumentos do perdão!
Jesus pede também para perdoar e dar: ser instrumentos do perdão, porque primeiro o obtivemos de Deus, Ser generosos para com todos, sabendo também que Deus derrama a sua benevolência sobre nós com grande magnanimidade.
  
Não julgar nem condenar!
Se uma pessoa não quer irromper no juízo de Deus, não pode tornar-se juiz do seu irmão. É que os homens, no seu juízo, limitam-se a ler a superficialidade, enquanto o Pai vê o íntimo.
Falar mal do irmão, na sua ausência, equivale a deixa-lo mal visto, a comprometer a sua reputação e deixa-lo à mercê das murmurações.
  
Abrir o coração!
Para ir ao encontro dos irmãos mais sofridos:
Quantas situações de precariedade e sofrimento no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não tem voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos. A Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixa-las com a misericórdia e trata-las com a solidariedade e atenção devidas.
  
Redescobrir as Obras de Misericórdia
 
Corporal
- Dar de comer aos famintos;
- Dar de beber aos sedentos;
- Vestir os nus;
- Acolher os peregrinos;
- Dar assistência aos enfermos;
- Visitar os presos;
- Enterrar os mortos.
 
Espiritual
- Aconselhar os indecisos;
- Ensinar os ignorantes;
- Admoestar os pecadores;
- Consolar os aflitos;
- Perdoar as ofensas;
- Suportar com paciência as pessoas molestas;
- Rezar a Deus pelos vivos e defuntos.
  
Centralizar o Sacramento da Reconciliação
 
Na vida da Igreja:
Que os confessores sejam um verdadeiro sinal da misericórdia de Deus. Ser confessor não se improvisa. Tornamo-nos tal quando começamos, por nós mesmos, a nos fazer penitentes em busca do perdão.
 
Na vida dos fiéis:
Com convicção, ponhamos no centro o sacramento da reconciliação, porque permite tocar sensivelmente a grandeza da misericórdia. Será, para cada penitente, fonte de verdadeira paz interior.
Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida!
Neste jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a sua vida. A Igreja sente, fortemente, a urgência de anunciar a misericórdia de Deus.
  
Oração do Ano Santo da Misericórdia
 
Senhor Jesus Cristo,
Vós que nos ensinastes a sermos misericordiosos como o Pai celeste,
e nos dissestes que quem Vos vê, vê a Ele.
Mostrai-nos o Vosso rosto e seremos salvos.
O Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu e Mateus da escravidão do dinheiro;
a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura;
fez Pedro chorar depois da traição
e assegurou o Paraíso ao ladrão arrependido.
Fazei que cada um de nós considere como dirigida a si mesmo as palavras que dissestes à mulher samaritana:
Se tu conhecesses o dom de Deus!

Vós sois o rosto visível do Pai invisível,
do Deus que manifesta Sua onipotência, sobretudo com o perdão e a misericórdia.
Fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de Vós, Senhor, ressuscitado e na glória.
Vós quisestes que os Vossos ministros fossem também eles revestidos de fraqueza,
para sentirem justa compaixão por aqueles que estão na ignorância e no erro:
fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.

Enviai o Vosso Espírito e consagrai-nos a todos com a Sua unção,
para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça do Senhor
e a Vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo, levar aos pobres a alegre mensagem e
proclamar aos cativos e oprimidos a libertação;
aos cegos restaurar a vista.

Nós Vo-lo pedimos por intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia,
a Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.

Amém.


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RECUPERAÇÃO DE SENHA
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